Ode a poesia!
Vejam amigos, a cara dessa poesia!
Agora observem com atenção
Essa mentirosa, meretriz de quinta
Maquiavélica, ardilosa, boa pinta
É puro embuste, auto-enganação.
Senhoras e senhores vejam vocês
Essa ninfa trapaceira, macabra
Diz-se enigmática, metafórica
Às vezes ela nos vem eufórica
Vezes ela nos vem dócil, sorrateira
E nem adianta abracadabra
Ele só vem quando dá na telha!
Te pega pela jugular, pela fraqueza
Faz por a mão na massa, nos seios
Entre as coxas, em teus meios
Faz perder o rumo, te castiga.
Adoece quem nela reinventa o amor
Mente quem diz que a domina
Mente quem conta que abomina
É bicho ruim que não desgruda
Não adianta reza, banho de arruda.
Mau do século, mau do bon-vivant!
Mau do poeta, da musa, do suicida
Da lavadeira, do poodle, do padre
Da paz, do ancião, do confrade
De toda raça, toda humanidade.
E há quem diga que ela é a clave
Que ela edifica, que ela nos salva
Há quem nela crie o subterfúgio
Há quem a confie corpo e alma
Tem quem só a ache no escuro.
Que lírica que nada, meu senhor!
Essa aí, essazinha, é chave-de-cadeia
Não marca hora, independe do sexo
Vai logo ao tema, deixa-o desconexo
Essa, essa mesmo, é puta rampeira.
Vejam mais uma vez essa poesia!
Esse rosto limpo, esse ar jocoso
Essa perna robusta, cintura-violino
É a tentação do capeta, seu moço
É a peste moldada em papel fino.
Mais que pureza porra nenhuma!
Sabem quantos poetas ela matou?
Sabem quantos amores ela já traiu?
Quantos versos ela despedaçou
E quantas rosas foram ditas em vão?
Essa mesmo, que versa das rosas!
Vive de braços dados com tercetos
Rima, métrica, mote, escansão
Tônicas, quadras, haicais, sonetos
E mais meia dúzia de rapagão!
Agora observem com atenção
Essa mentirosa, meretriz de quinta
Maquiavélica, ardilosa, boa pinta
É puro embuste, auto-enganação.
Senhoras e senhores vejam vocês
Essa ninfa trapaceira, macabra
Diz-se enigmática, metafórica
Às vezes ela nos vem eufórica
Vezes ela nos vem dócil, sorrateira
E nem adianta abracadabra
Ele só vem quando dá na telha!
Te pega pela jugular, pela fraqueza
Faz por a mão na massa, nos seios
Entre as coxas, em teus meios
Faz perder o rumo, te castiga.
Adoece quem nela reinventa o amor
Mente quem diz que a domina
Mente quem conta que abomina
É bicho ruim que não desgruda
Não adianta reza, banho de arruda.
Mau do século, mau do bon-vivant!
Mau do poeta, da musa, do suicida
Da lavadeira, do poodle, do padre
Da paz, do ancião, do confrade
De toda raça, toda humanidade.
E há quem diga que ela é a clave
Que ela edifica, que ela nos salva
Há quem nela crie o subterfúgio
Há quem a confie corpo e alma
Tem quem só a ache no escuro.
Que lírica que nada, meu senhor!
Essa aí, essazinha, é chave-de-cadeia
Não marca hora, independe do sexo
Vai logo ao tema, deixa-o desconexo
Essa, essa mesmo, é puta rampeira.
Vejam mais uma vez essa poesia!
Esse rosto limpo, esse ar jocoso
Essa perna robusta, cintura-violino
É a tentação do capeta, seu moço
É a peste moldada em papel fino.
Mais que pureza porra nenhuma!
Sabem quantos poetas ela matou?
Sabem quantos amores ela já traiu?
Quantos versos ela despedaçou
E quantas rosas foram ditas em vão?
Essa mesmo, que versa das rosas!
Vive de braços dados com tercetos
Rima, métrica, mote, escansão
Tônicas, quadras, haicais, sonetos
E mais meia dúzia de rapagão!
Merece é ser apedrejada, queimada!
Atirada da prancha, riscada do papel
Deletada das praças, dos livros
E que viva eternamente no mausoléu
Longe de cadernos, diários, papiros...
Essa que agora te mostro com verdade
Dando a cara à tapa, mostrando-se nua
Que vai às guelras do tempo, no beco da rua
Que corre solta na veia, livre feito sabiá...
...É filha minha, não hei de matar!



